quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

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Análise: Tablet bq Edison 2 Quad Core 3G

Para quem precisa de mobilidade mas não abdica de um ecrã de grandes dimensões, tablets de 10 polegadas são a solução ideal. Mas muitas vezes vale a pena olhar para o mercado com atenção. A bq, empresa 100% espanhola, tem um tablet com especificações muito interessantes, a um preço muito competitivo. Depois de um mês de uso, vamos à análise do bq Edison 2 Quad Core 3G.


Primeiras impressões

Na caixa temos o nosso tablet, um cabo usb e o adaptador de corrente usb a que estamos habituados. Até aqui nada de extraordinário. O primeiro impacto é quando pegamos no tablet, porque a versão 3G pesa uns respeitosos 700g, mais 20 gramas que a versão wifi. A qualidade de construção é bastate boa, com a parte traseira de alumínio preto com um acabamento baço, rodeada por uma moldura de borracha suave ao toque, como se fosse um bumper incorporado.


Atrás temos colunas estéreo e uma câmara de 2 MP (sim, quem é que precisa de mais num tablet?), tudo localizado na parte superior, bem como a marca e modelo do tablet no centro. No topo temos os botões de volume e o nosso amigo power button.



Do lado direito e em baixo não temos nada e do lado esquerdo é onde a magia acontece: ranhura para um cartão SIM de tamanho normal (para o modem 3G+), jack audio 3,5mm, mini HDMI, ranhura para micro SD, porta micro USB com suporte para USB OTG (adaptador não incluído) e por fim o microfone. Portanto se o vosso sonho for usar um rato e um teclado bluetooth para editar um texto que têm numa pen drive ou disco externo na vossa televisão full HD da sala, agora podem.


Na parte da frente, que no fundo é a parte mais importante, temos um ecrã IPS de 10.1 polegadas e o vidro parece ser de boa qualidade, com os dedos a deslizar bem sobre a superfície. No entanto, não sabemos quanto à resistência a riscos e quedas, por isso aconselhamos a compra de uma película protectora e/ou de um seguro anual multi-risco, ambos disponíveis na loja da bq com preços muito acessíveis. No topo, temos uma câmara frontal com uma resolução espantosa de 640 x 480 pixels. Chega perfeitamente para uma conversa no Skype ou no Google Hangouts e reduz os custos de produção, mas não dá para vlogging.

Interface e sistema operativo

Ligamos o tablet e somos saudados por uma boot animation com uma versão cartoon de Thomas Edison, o padrinho deste modelo da bq, que nos deixa bem dispostos. Após as configurações iniciais somos informados que existe um update de firmware. Este update é bastante importante, porque consta que o firmware de fábrica vem com alguns problemas graves, nomeadamente problemas ao escrever em dispositivos de armazenamento externo (cartão SD e drives USB). Este update é feito automaticamente ao clicarmos num ícone "update" na nossa gaveta de aplicações, desde que tenhamos uma ligação de dados (de preferência wifi). Depois do update somos informados no site da bq que devemos fazer um factory reset ao aparelho, de forma a gerar correctamente o device ID. Mesmo não sabendo o que é, é melhor fazer, por isso vamos às definições e repomos os dados de fábrica num passo simples. É um começo atribulado com um novo tablet, dirão alguns, mas pelo menos deixará de o ser assim que a bq venda a primeira fornada de tablets com a versão antiga de firmware

Estamos então com o último firmware (versão 1.2.0) e podemos continuar. O sistema operativo é Android 4.2.2 Jelly Bean praticamente puro, tal como a Google o idealizou. Até o launcher não tem qualquer tipo de personalização por parte da bq, excepto um lindo wallpaper com girassóis. Não há nenhum botão, nem físico nem capacitivo, dado que toda a navegação é feita em botões que surgem no ecrã. Estes botões escondem-se durante a visualização de vídeos no youtube ou mesmo de filmes, permitndo usufruir da totalidade do ecrã, o que é essencial para quem pretende ligar o tablet à televisão por HDMI.




A única coisa que salta à vista quando damos uma vista de olhos nas definições é uma adição muito útil por parte da bq: um modo de poupança de energia. Este modo reduz a frequência máxima do processador e assim consegue sacrificar a performance em troca de mais 20-25% de tempo de bateria. Com este modo activado foi-nos possível realizar a grande maioria das tarefas diárias, incluíndo ouvir música em stream durante dias. Outra hipótese curiosa é a colocaçao opcional de um botão de screenshot na barra de navegação em baixo.


Performance


Ecrã

O ecrã IPS com resolução de 1280 x 800 pixels tem suporte multi-touch até 10 pontos (não há mais dedos nas mãos) e dá-nos uma densidade de pixels de praticamente 150 ppi, o que é o mesmo que podemos encontrar em tablets como o Samsung Galaxy Tab 3 10.1 e o Toshiba Excite 10. Está longe dos 300 ppi do Nexus 10 da Google/Samsung, mas digamos que é o mínimo aceitável para um tablet de 10 polegadas. De facto, a uma distância normal de uso os pixels são imperceptíveis e um filme HD não sai de todo prejudicado. O ângulo de visão é de 178º, o que é obviamente mais que suficiente, porque olhar para o tablet de lado é parvo.


Detalhe do ícone do Google+ no ambiente de trabalho.
E para os amantes da leitura? Podem ficar descansados que 150 ppi são mais que suficientes para uma leitura clara, mesmo com letras pequenas.


Som

A colocação das colunas estéreo na parte traseira superior faz com que o som seja direccionado para longe, o que é sempre um problema. Este problema agrava-se quando pretendemos utilizar uma capa de protecção genérica, que acaba por tapar por completo as colunas, resultando num som abafado. Este problema só é resolvido usando as capas oficiais da bq, que possuem grelhas nos locais certos.

Apesar da localização não ser a ideal, a qualidade sonora é bastante boa, com Dolby integrado, equalizador gráfico com presets personalizáveis para jogos, música, filmes e conversação, virtualizador de áudio para uma experiência surround simulada e até um modo de equalizador automático. É possível desligar o Dolby, mas depois de o usar não queremos outra coisa.


Sensores e conectividade

Quem está habituado a essa função nos smartphones vai sentir a falta do controlo de brilho automático, dado que não existe sensor de luminosidade, no entanto é possivel um ajuste manual rápido, ou o uso de aplicativos que ajustam o brilho consoante a hora do dia, por exemplo. No entanto, não ficamos de todo a perder no que toca ao resto. À nossa disposição temos acelerómetro, e-compass e sensor de temperatura. Em termos de conectividade sem fios temos ligação 3G+ (só com cartão SIM), ligação wifi, bluetooth 4.0 e GPS com GLONASS. Com uma smart TV compatível podemos ainda usufruir de tecnologia Wireless Display, que não testámos mas confiamos que funciona.

Bateria

Com uma bateria Li-ion de 8600 mAh, não tivemos problemas de falta de carga em momentos cruciais. Com o modo de poupança de energia ligado e com uma utilização não muito intensiva, podem ter o tablet longe do carregador até ao fim de semana. Se quiserem desligar o modo de poupança e jogar uns jogos mais exigentes ou ver filmes em alta definição, talvez tenham de o carregar ao fim de 2 dias. Não se pode ter tudo.

Memória e processamento

Este é o ponto para onde olhamos com mais atenção quando estamos à procura de um novo dispositivo android. De facto, se o poder de processamento for limitante, a experiência e o uso diário vão ser afectados. O bq Edison 2 Quad Core 3G apresenta especificações muito interessantes, que o colocam a par de dispositivos de topo do último ano. A musiquinha das especificações, não sendo nada de extraordinário, é suficiente para deixar um sorriso nos lábios de qualquer geek: CPU Cortex A9 Quad-core a 1.6 GHz, GPU Mali 400 MP a 600MHz, 2 Gb de RAM, 32 Gb de memória interna eMMC.

Mas como se traduzem estes números em termos de performance? Vamos olhar para um benchmark, neste caso o AnTuTu:


Como vemos, a performance deste tablet é muito semelhante à do 10 polegadas da Google, sendo até um pouco superior neste teste (de notar que o Nexus 10 tem de lidar com um ecrã com o dobro da densidade de pixels). Está também a par com o phablet de 5.5 polegadas Galaxy Note 2 da Samsung, que tem especificações muito semelhantes (2 Gb de RAM, Cortex A9 Quad-core 1.6 GHz e GPU Mali 400 MP). 

Sendo que não estamos perante uma bomba, pelos padrões actuais, é concerteza um tablet que não vai desiludir na utilização diária. Nos nossos testes experimentámos vários jogos graficamente exigentes sem qualquer tipo de problema, por isso o Angry Birds não vai ter lag.

Preço

Com estas especificações estamos à espera de um preço não muito acessível, se formos comparar com os preços a que empresas como a Samsung nos habituaram. No entanto, a bq soube gerir bastante bem os custos de produção, reduzindo gastos nas câmaras e na resolução de ecrã, ficando no entanto com características que são mais que suficientes para a utilização que damos a um tablet de 10 polegadas. Este facto, associado talvez a uma margem de lucro curta, leva-nos ao preço de €269.90 na loja da bq, ou de €229.90 pela versão wifi sem GPS, o que é bastante apelativo, tendo em conta as especificações, a performance e os preços praticados no mercado. Há também que ter em conta que este é de momento o topo de gama da bq, pelo que há outros modelos ainda mais acessíveis (no entanto, com perdas na performance).

Veredicto

Com uma boa capacidade de processamento ajudada por 2 Gb de memória RAM e 32 Gb de armazenamento interno, o bq Edison 2 Quad Core 3G é sem dúvida um tablet que satisfaz a maioria dos utilizadores. Para quem quer uma ferramenta de trabalho, o modo de poupança de energia garante uma utilização contínua sem precisar de carga, para quem prefere jogar o último jogo 3D que saiu a semana passada, também não vai encontrar obstáculos. 

Um dos principais problemas deste tablet é o peso. Com mais 100g que o Nexus 10 e mais 200g que o Samsung Galaxy tab 3 10.1, a sua presença faz-se sentir dentro de uma mochila ou mala ao fim do dia. No entanto, continua a ser um peso suportável na maioria dos casos. A posição das colunas não favorece a sua qualidade sonora, continuando a valer a pena ligar uns bons headphones, mesmo quando estamos sozinhos em casa. Outro aspecto negativo mas claramente intencional, tal como a falta de sensor de luminosidade, é a resolução das câmaras. Para quem usa o tablet para gravar vídeo com a câmara frontal, não pode contar com mais de 640 x 480 pixels. 

Tendo em conta a performance obtida a um preço bastante abaixo dos €300, estamos perante um tablet com uma excelente relação qualidade-preço, que nos parece ter bastante suporte técnico por parte da bq, bem como uma comunidade activa de utilizadores com os quais se podem trocar experiências e tirar dúvidas. Em suma, uma máquina que nos deixou agradavelmente surpreendidos. Recomendado!


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